A indústria automobilística brasileira está encerrando o exercício de 2024 bastante otimista. O título do press-release da Anfavea do balanço de novembro, divulgado na semana passado, dá uma ideia do grau desse otimismo: “Após o melhor semestre dos últimos 10 anos, mercado brasileiro fecha 2024 com o maior crescimento entre os principais mercados globais e projeta um novo salto para 2025”.
No evento a entidade também divulgou o balanço estimado do setor automotivo em 2024, bem como as projeções para 2025. De acordo com o texto: “O ano que se encerra foi marcado por forte crescimento de vendas no segundo semestre, o que impulsionou a produção de autoveículos a um nível acima do projetado inicialmente. Na comparação do segundo com o primeiro semestre, a produção cresceu 26,2%, os emplacamentos 32% e as exportações 44,2%”.
“Segundo Semestre Fantástico” – Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea, explica que “normalmente a segunda metade do ano é mais aquecida, mas neste ano tivemos um segundo semestre fantástico, o melhor dos últimos dez anos, depois de um início de ano com alguns problemas, como greves em órgãos públicos, enchentes no Rio Grande do Sul, entre outros”.
Ainda segundo o dirigente empresarial, com isso, o Brasil foi o país que mais cresceu entre os principais mercados do mundo. “Esperamos começar o ano nesse ritmo acelerado e fazer de 2025 o último degrau antes da volta ao patamar dos 3 milhões de unidades vendidas”, avalia.
Mercado interno – Depois de um início de ano pouco aquecido, houve um relevante aumento no ritmo de vendas de autoveículos a partir de junho, atingindo média de 13,3 mil unidades/dia em novembro, a maior em 10 anos. Assim, 2024 deverá fechar com 2,65 milhões de autoveículos emplacados, alta de 15% sobre 2023. Faltaram cerca de 130 mil unidades para que se superasse o total de 2019, último ano antes da pandemia.
Para o ano que vem, a Anfavea projeta vendas de 2,802 milhões de autoveículos, uma elevação de 5,6% sobre 2024. Na divisão por grandes segmentos, espera-se alta de 5,8% para automóveis e comerciais leves, e de 2,1% para veículos pesados.
Produção – Apesar do crescimento de 15% do mercado interno, a produção deve subir neste ano 10,7% sobre 2023, com 2,574 milhões de autoveículos deixando as linhas de montagem brasileiras. O que explica esse gap é a estagnação das exportações e sobretudo a alta impressionante do ritmo de importações.
O salto das vendas de modelos estrangeiros no ano, acima de 31,5% (463 mil unidades no total), foi puxado por veículos vindos de fora do Mercosul, sobretudo da China. A participação de 17,4% dos importados nos emplacamentos é a maior dos últimos 10 anos, sendo que 1/3 foi trazido por empresas que não produzem no Mercosul.
“Este desequilíbrio na balança comercial, por conta de baixo Imposto de Importação para elétricos e híbridos, impediu que fabricantes de veículos aqui instalados obtivessem uma recuperação ainda mais robusta”, analisa Márcio de Lima Leite.
